"Conversas com meu pai" Quando o silêncio grita em nós.


Escrevo esse texto no dia em que meu pai completaria 68 anos se estivesse vivo, resta a dúvida se existe o acaso.

Um dos destaques da mostra de Solos e Monologos de Maringá, evento da dois coelhos comunicação e cultura, realizado via Lei federal de incentivo á cultura e contemplado pelo edital da Viapar Cultural foi o espetáculo “Conversas com meu pai”, uma pesquisa cênica da atriz paulistana Janaína Leite com dramuturgia do premiado Alexandre Dal Farra (Prêmio Shell 2013).


Papéis numa caixa de sapatos. Frutos da comunição entre um pai enfermo, sem a possibilidade de fala, e uma filha que mantinham os laços de afetividades numa comunicação sem qualquer som mas com múltiplas vozes. A todo instante qualquer um de nós nos reinventamos, mudamos e reescrevemos nossos passos - tanto do passado quanto os futuros - nesse sentido, Leite conduz as versões da história que conta diferentes formas e sentidos de si mesma. Em tempos Líquidos todos perdemos o aspecto cartesiano, lutamos com o mundo e com o tempo que nos prega peças ao construir uma linearidade da memória. No fundo, o espetáculo nos mostra a obviedade humana que qualquer racionalidade não se é possível linearidade.


O ensejo teatral revela a descrença simplista que não há plano traçado, o incomodo latente grita, mesmo que através do silêncio de Alair (pai e peça documental do espetáculo) nem sempre há um bom porto no final da Jornada. Enquanto há as trocas de personalidades de um selfie da atriz, o que se apresenta são memórias documentais através de projeções de vídeo de uma realidade passada, e real? Imagens em pedaços, estilhaços e cacos que nos fazem reconhecer nesses anônimos tão fraternais.


Pairam as dúvidas: De que forma se relaciona a realidade e a ficção? O que é real? Será que isso existe somente na minha mente? São reflexões que mentém uma tensão viciante ao expectador.


Somos o fruto do que nos cerca, todas as coisas podem ser revertidas, e temos grandes dificuldades de enxergar certas situações, todos temos aqueles segredos escondidos no silêncio, e na escuridão de mente, e por mais espinhosos e escabrosos que são percebemos que é necessário nos machucarmos com eles, pelos simples fato de lembrarmos da nossa fragilidade huamana.


Sofremos para enfrentar nossa realidade, encarar os mais sublimes silêncios podem nos fazer estourar os timpanos. O poeta já dizia que o silêncio responde até aquilo que não foi perguntado. Quem é mais sábio? O homem que encara seus monstrons, ou o medíocre que olha ao seu redor e finge que esta tudo bem e se conforma cotidianamente. O espetáculo “Conversas com meu pai” nos traz essas reflexõs de tantas histórias empilhadas e revela uma excelente pesquisa e encenação do teatro documental.






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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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