Paulo Briguet, aquele abraço!




Na manhã de ontem, eu fiquei muito triste! O jornalista e colunista Paulo Briguet, em seu perfil do Facebook, usava ironia para dizer que eu estava fazendo doutrinação de esquerda. Justo eu fazendo isso, Briguet? A situação era sobre uma publicação desse blog, que relatava a experiência de aula/debate sobre o papel do "cidadão político" numa das escolas ocupadas pelos alunos . Junto à postagem, aos comentários de pessoas que debatiam com julgamentos primários e preconceituosos, havia uma foto: julgavam meus atos, os escritos manifestados pelos presentes no quadro e até os aspectos físicos dos alunos. Um verdadeiro show de horrores em qualquer perspectiva que considere o bom senso.


Gostava de certas publicações de Briguet, quando destacava aspectos positivos da cidade, de maneira poética ressaltava o cotidiano londrinense e através de letras impressas naquele papel tão rústico e áspero ele tornava sublime a bela Londrina por meio de uma escrita gostosa de ler e que nos deixava com orgulho de sermos pés vermelhos. Um dos destaques que aparecem em seus textos é a sua crença de possuir poucos leitores - "meus sete leitores", como está presente em diversos escritos.


Ontem tivemos a prova que você não possui somente sete leitores como a poesia insiste, e isso me preocupou! Não por torcer contra, longe de mim tal atitude. Mas me preocupa a onda “reaça” que o referido escritor tem orgulho de admitir; essa onda que ignora debates como da igualdade racial, do feminismo, da multiplicidade religiosa, das questões LGBT entre tantas outros questões, colocando-as todas num único balaio vermelho comunista/petralha/esquerdista que, segundo ele, deve ser totalmente combatido com armas no mínimo duvidosas.


O escritor mantém a bela escrita, a gramática impecável e uma poesia intrínseca, mas creio que se perde quando o assunto é política, nega seu passado lembrado por muitos: associado à esquerda com um espírito revolucionário. Mudou da água para o vinho com o discurso de bom senso, talvez para ter uma posição de destaque, quem sabe busca ser um Reinado de Azevedo pé vermelho, mas seu posicionamento intransigente o torna cego. O colunista vive num mundo de ilusões, talvez numa fenda no universo muito distante da realidade. Nesse lugar, tudo e todos que o desagradam são meros esquerdistas. Tentar abominar tudo com caráter de esquerda, e acaba por confundir e taxar de vermelho pessoas que nada têm a ver ou defendem isso.


Briguet, não se esqueça de que a bandeira da cidade de Londrina que tanto ama é toda vermelha com estrelas. Por mais que não queira, o coração do poeta bate do lado esquerdo do peito e isso nada tem a ver em ser de esquerda. Aquele abraço!




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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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