Hoje era pra ser um dia normal, mas a "mulecada" da ocupação das escolas estaduais não per



Hoje era pra ser um dia normal, acordaria pela manhã e daria aulas no Brasílio Itiberê na cidade de Maringá no Paraná, mas como está ocorrendo a ocupação poderia ter dormido mais, ter feito tantas outras coisas que qualquer professor tem de fazer, ou quem sabe até opinar em alguma das redes sociais, entretanto fui lá! Cheguei tímido no espaço, até dias atrás estava totalmente apropriado e agora me parecia estranho, os alunos logo me recepcionaram com os tratamentos calorosos tão comuns. Tão logo vi colegas professores que também apareceram, alguns poucos, mas estavam ali juntos com os alunos como deveriam estar em um dia normal.


Conheci os membros da organização, e na sequência uma aluna minha que também estava na organização me levou até o salão nobre (apelidado de salão pobre, pelas condições e falta de equipamentos, apesar dos esforços da direção da escola), lá estavam todos sentado num círculo. Me apresentaram aos alunos que não me conheciam e explicaram que a disposição em círculo tratava-se de uma socialização do debate e não seguia a disposição original do detentor de conhecimento e os demais, a proposta ali era um grande debate, e com todos a direito de voz.


Minha aula/debate foi sobre "o cidadão político", num primeiro momento vários se levantaram e saíram, e me preocupei! Será que não estava chegando até eles conduzindo o debate, mas na sequência soube que eles saíram para cumprir tarefas de uma escala previamente organizada. Debatemos e discutimos, me surpreendeu a organização e o interesse dos presentes, tivemos até que fazer inscrições para organizar, passamos pelos povos da Mesopotâmia, cidadania na Grécia antiga; a construção da república romana; a Idade Média; o direito divino na Modernidade; a Revolução Francesa.... Logo durante o papo chegou uma outra professora de História, da escola também, que enriqueceu notavelmente o debate e a conversa fluiu e só terminou com a chamada para o almoço.


Me mostraram o cozinha da escola: limpa e organizada, os alunos mais velhos cuidando de tudo, me explicaram o funcionamento e o revezamento das comissões como por exemplo a de limpeza e segurança, conversamos sobre diversos assuntos, e claro que houveram divergências, ainda bem que houveram divergências de ideias. Que organização, que sistematização, isso cobramos todos os dias deles em sala de aula, mesmo que nem sempre somos o fiel exemplo de dada cobrança. Eles estavam sem máscaras, sem necessidade de notas, Só eram a mulecada que sempre via na escola!


Sai e encontrei a reportagem da maior emissora de TV que entraria ao vivo para o noticiário do almoço, pensei comigo: o que seria dito ali? mas não liguei, não mais importava! Já que eu não era mais o professor de alguns instantes atrás, e esse já não era um dia normal, e o termo "mulecada" restou como um mero adjetivo carinhoso.







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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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