Médicos e Professores, um notório abismo de respeito profissional.



Nos últimos dias tivemos uma enxurrada de informações do já rechaçada PL 6480/2013 que visa fazer alterações radicais no Ensino Médio e que o executivo federal pretende coloca-la em vigor com uma medida provisória, tendo como figura o ator e um dos líderes da direita Alexandre Frota que foi recebido pelo Ministro da Educação Mendonça Filho. As mudanças propostas vão muito além da proposta original feita por Dilma em 2013, nessa nova proposta divulgada estava prevista a exclusão de Artes e Educação Fisica e a possibilidade de profissionais sem licenciatura atuar na educação básica, a esses últimos o projeto trata como "profissionais de notório saber".


O governo federal negou que essa seria a proposta da MP, como já fez o governo Temer inúmeras vezes deu para trás e se confirma como um "Governo bundão". Além de toda polêmica envolvendo essa reforma, como também ao termo "notório saber" que mais parece ter saído de um decreto do século XIX no auge da monarquia no Brasil minha intenção é outra, observar a distinções que ocorrem nas classes de duas profissões que necessitam de formação superior no Brasil: O Professor e o Médico.


Também deixo claro que não estou tecendo críticas á profissão de Médico, tenho muitos amigos médicos (Já que entendo que Doutor é um título acadêmico para quem faz doutorado, e não um pronome de tratamento para uma profissão qualquer), mas sim a organização de classe promovida durante o polêmica do Ato Médico.


O Ato Médico é o nome dado ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 268/2002 e ao Projeto de Lei (PL) 7703/2006. Segundo a classe médica, eles buscam regulamentar o trabalho do médico que, embora seja uma profissão milenar, não possuía na legislação brasileira uma enumeração de suas atribuições. A polêmica na ocasião era que mesmo tendo um número insuficiente de Médicos para atender no Brasil, a redação presente nesse projetos que tratava sobre as atribuições médicas acabava por limitar a atuação de outros profissionais da saúde (com ensino superior), como psicólogos, enfermeiros, nutricionistas entre outros.


Percebam como culturalmente temos atitudes que remetem a nossa origem colonial, valorizamos os letrados médicos e advogados (doutores), mas deixamos de lado questões relativas a educação e formação ao cogitar que uma "notório saber" poderia substituir um licenciado. Defendo que deva haver uma expansão das licenciaturas de maneira responsável e só assim professor será um profissão tão bonita quanto respeitada como a dos Médicos.









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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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