Quem seria você no julgamento de Sócrates?

Os acontecimentos políticos no Brasil ganharam uma perspectiva maniqueísta, ou você está do lado de lá ou está do lado de cá, e numa verdadeira guerra ideológica os defensores de cada ponto de vista se atacam como numa disputado de gladiadores prolixos e raivosos. Nesse ambiente esquece as relações de amizade, os laços familiares e hierarquias para que nessa arena de argumentos sarcasmo, ironia, ataques pessoais, deturpação da honra, mentiras e manipulação de dados se tornam poderosíssimas armas de discórdia nas postagens e compartilhamento de links e notícias no mínimo polêmicas.

No meio dessa situação toda ocorreu no último dia 12 a aprovação do processo de impeachment da presidente ou presidenta para alguns, (mas sem polêmicas ok?) as mudanças no governo tornou esses embates ainda mais atribulados nesses últimos dias com início do governo interino de Michel Temer. E analisando as circunstâncias da comemoração de uns, da decepção de outros e do arrependimento de alguns veio-me a mente a obra A Morte de Sócrates de Jaques Louis David pintada em 1787 durante o auge do neoclassicismo europeu.

Com certeza esse post faria muito sucesso se associássemos a figura de Dilma Roussef com Sócrates, entretanto não foi essa a ideia, aliás tal semelhança seria muito desproporcional, mas o objetivo é identificar os personagens históricos pensados e retratados por David e tentarmos nos identificar com eles. É um exercício interessante, e complemente pertinente a atual situação:


A Morte de Sócrates, Jacques-Louis David, 1787 (129.5cm × 196.2cm) Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

Sócrates, o condenado sensato: Que segundo seus discípulos teria mudado a fora dos atenienses pensaram, principalmente os jovens, é condenado a beber cicuta. David ao representa-lo apontando pra cima estaria fazendo uma referência que há esferas maiores que sua própria morte, já que há a imortalidade da alma.








Apolodoro, o inconformado: Um dos discípulos mais presentes nas andanças de Sócrates em Atenas, Já foi chamado de o homem que não suporta a injustiça, Sócrates teria pedido para ele se retirar pelo próprio Sócrates, pois seu transtorno era incontrolável.







Crito, o articulador: Um dos filósofos mais próximos de Sócrates, teria argumentado e defendido Sócrates junto as instituições atenienses, quando soube da sentença de seu mestre o quis convencer a fugir de Atenas, inclusive ofereceu apoio com conhecidos, Sócrates teria dito: Abandonar Atenas seria abandonar a filosofia.




O Jovem inexperiente: Não possuí identificação, na história há relatos que Sócrates era acompanhado por vários aprendizes jovens, e seriam eles o motivo de sua sentença. O jovem aprendiz entrega a taça de Conium ao mestre, a inexperiência é retratada quando ele desvia o olhar, pois o fato de saber que o sábio morrerá por um crime (falso) cometido a eles (jovens).


Platão, o mais sábio dos discípulos: Dentre os discípulos, era o mais jovem e colocado pelo mestre como um dos mais sábios, a história conta que ele não estava presente na morte de Sócrates. David não o deixaria de lado, e talvez por essa situação, é demonstrado mais distante da cena, mas é um único que reage à tragédia com a mesma dignidade do mestre, sentado imóvel à beira da cama, com o olhar afastado da dramaticidade da cena. Sua cabeça está curvada, imersa em pensamentos, enquanto contempla o destino de seu mestre.



Então, quem seria você no momento da morte de Sócrates. Conhece-te a ti mesmo.









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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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