A "politikifobia", a era em que tudo que for político é desmoralizado.

Se você acredita que todos os partidos são iguais, que não existe ideologia alguma nos partidos, agremiações e sindicatos, acha chato e recrimina qualquer pessoa que fale de política, preocupe-se: você sofre de "Politikifobia".

Se você está lendo esse artigo, meus parabéns, talvez você ainda pode se salvar dessa terrível ameaça que vem assolando as cidades, tomando as mais sapientes almas e consumindo os debates inteligentes das redes sociais. Brincadeiras e sarcasmos à parte, é importante ressaltar: a crise política é grave e não assola somente grandes instituições políticas, ela está retirando boas cabeças que poderiam colaborar, e muito, com a política.

Os gregos já mostraram para nós que a política faz parte do cerne humano. O animal político definido por Aristóteles está em casa com os pais, no mercado fazendo compras e na empresa atendendo a clientes. Praticamente em todos os momentos precisamos agir politicamente e, assim, garantir nossa sobrevivência nessa terra de oportunidades e muitos vigaristas.

Esses dias, estava buscando um espaço para um debate democrático. Conversei com algumas instituições que possuíam um espaço adequado para o evento e fiquei impressionado com a "politikifobia" - esse temor de alguns líderes e diretores pelo fato de o tal evento possuir ou não cunho partidário. Percebi que pertencer a alguma bandeira partidária tornou-se algo hediondo, capaz de acabar com a mais bela causa, independente do que seja.

Entendo que tal temor é fruto das ações políticas que permanecem nessas últimas décadas, as quais mostram que a máxima maquiavélica (de que tudo vale a pena para se obter o poder) desgastou e muito os políticos e as instituições envolvidas. Esse cansaço vem do modelo de eleições que sempre privilegia aqueles que detêm grandes quantias de recursos ($$$) para que sua campanha seja vista e, quem sabe, haja muitos votos conquistados pelo puro marketing ou pela troca direta de favores.

Nos últimos dias, o governador Beto Richa (PSDB) vive uma das piores crises políticas que o Paraná já conheceu. Sabemos “de cor e salteado" os erros pela permanência do poder. Mas não é isso que quero destacar - não pelo menos nesse post - mas como o tucano usou a expressão: "Essa greve é política", no sentido de alertar a população que grupos políticos estão envolvidos e como isso deveria desmoralizar a greve. Percebam a situação: um político eleito usando argumentos da "politikifobia", dizendo que, se esse movimento está associado à política, ele é desmoralizado. Mas, lembremos: o próprio governador faz parte de um grupo político!

Platão (gosto dele, pois é conhecido mais pelo "apelido" que por seu belo nome, Aristócles) chamava a atenção para o fato de que, para conduzir a cidade (pessoa de Alma de ouro), era preciso ser muito inteligente, não popular, não cheio de riquezas. Aliás, aqueles que vivem das trocas de riquezas tendem a ser concupiscíveis. "[...]Noutras palavras, para que se realize a sabedoria,[...], a única virtude verdadeiramente humana e racional, é necessário que a alma racional domine, antes de tudo, a alma concupiscível, derivando daí a virtude da temperança,[...]", diria o velho do episteme dualista, em “A República”.

Acredito que precisamos deixar a "Politikifobia" de lado. Se nos afastarmos da política, teremos de lidar com a máxima platônica: se não gosta da política acabará sendo governado por quem gosta. E então, essa máxima fará tanto sentido que não poderemos questionar quem está lá, mas somente questionaremos se estes estão cumprindo seu dever civil (Ops, "péra" parece que isso já está ocorrendo.)

Revisão textual de Fernanda Cassim

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© 2015 por Arnaldo Martin Szlachta Junior

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